Empreendedorismo · 18 de julho de 2026
Como o intraempreendedorismo deu origem à minha primeira startup
A Aranis não nasceu com um pitch nem com uma rodada de investimento — nasceu de anos resolvendo pequenos problemas reais como intraempreendedor. A história de como processos, automações e dashboards viraram uma visão.
"Empreender não começou quando fundei a Aranis. Começou no dia em que decidi que reclamar de um processo não era suficiente — era preciso construir uma alternativa."
Quando pensamos em startups, normalmente imaginamos uma ideia genial surgindo da noite para o dia.
Um grupo de fundadores.
Um MVP.
Um pitch.
Uma rodada de investimentos.
No meu caso, não foi assim.
A Aranis não nasceu quando registrei um domínio, desenhei um logotipo ou abri uma empresa. Ela nasceu anos antes, enquanto eu ainda trabalhava como colaborador, o famoso CLT. Na época, eu nem imaginava que estava construindo uma startup. Só queria resolver problemas.
Ao longo da minha carreira sempre fui incomodado por uma pergunta:
"Por que fazemos isso dessa forma?"
Não porque eu acreditasse que tudo estivesse errado, mas porque via processos extremamente manuais, análises repetitivas e decisões importantes sendo tomadas com poucas informações.
Em vez de aceitar que "sempre foi assim", comecei a desenhar soluções. Algumas eram simples, outras exigiram meses de desenvolvimento. Mas todas tinham um objetivo em comum: facilitar o trabalho das pessoas e melhorar a qualidade das decisões.
Sem perceber, eu estava praticando intraempreendedorismo.
Organizar o caos
O primeiro passo foi organizar o caos. Na Voltz, participei da construção do processo de Gestão de Riscos de Terceiros (TPRM). Não queria apenas criar um fluxo de aprovação. Queria que ele fosse útil para quem precisava tomar decisões.
Depois veio um desafio diferente: o mapeamento de dados da LGPD. Em vez de utilizar documentos tradicionais, adaptei conceitos do LGPD Model Canvas para uma abordagem colaborativa desenvolvida no Figma.
O objetivo nunca foi inovar por inovar. Era tornar um trabalho complexo mais simples, visual e colaborativo — principalmente para quem não estava familiarizado com os processos e as sopas de letrinhas.
Naquele momento eu ainda enxergava esses projetos como iniciativas independentes. Mas hoje percebo que todos eles tinham algo em comum: buscavam transformar processos burocráticos em processos inteligentes.
Quando a IA entrou na conta
Algum tempo depois surgiu um desafio ainda maior: as avaliações de maturidade de fornecedores consumiam muitas horas de trabalho especializado.
Questionários extensos.
Evidências.
Validações.
Análises técnicas.
Então surgiu uma pergunta: e se a Inteligência Artificial pudesse fazer a primeira análise?
Foi assim que nasceu uma solução capaz de analisar respostas, validar evidências, identificar inconsistências e correlacionar informações provenientes de diferentes fontes, como OneTrust, BitSight e Qualys.
Mais do que reduzir o esforço operacional, a ideia era permitir que os especialistas gastassem menos tempo executando tarefas repetitivas e mais tempo analisando riscos.
Resolver um problema revelou outro
A automação trouxe velocidade. Mas também revelou uma nova dificuldade.
Mesmo com muito mais informações disponíveis, ainda era difícil responder uma pergunta simples:
Qual é o risco real que esse fornecedor representa para o negócio?
Foi então que comecei a trabalhar em um modelo capaz de correlacionar maturidade, criticidade, vulnerabilidades, exposição externa, controles e indicadores em um único Risk Score contextualizado.
Não era apenas um dashboard. Era uma tentativa de transformar dados dispersos em inteligência para tomada de decisão. Hoje percebo que esse foi um dos primeiros momentos em que a ideia da Aranis começou a ganhar forma.
A startup nasceu antes da empresa
Durante muito tempo enxerguei esses projetos como iniciativas independentes.
Um processo aqui.
Uma automação ali.
Um dashboard.
Um modelo analítico.
Mas, olhando para trás, percebo que todos respondiam à mesma pergunta: como transformar dados de risco em inteligência útil para o negócio?
Foi quando entendi que eu não estava criando projetos — estava construindo partes de uma mesma visão. Cada iniciativa resolvia um problema específico. Juntas, elas desenhavam algo muito maior.
Aquela visão acabou se tornando a base da Aranis.
Hoje muitas pessoas perguntam de onde surgiu a ideia da Aranis. A resposta costuma decepcionar quem espera uma história de inspiração repentina. Não houve um momento mágico. Não houve uma ideia revolucionária durante um café. A Aranis nasceu da soma de vários problemas reais que encontrei ao longo da minha carreira.
Cada processo redesenhado.
Cada automação construída.
Cada modelo desenvolvido.
Cada conversa com usuários.
Cada limitação encontrada.
Existe uma frase muito conhecida no empreendedorismo: "Apaixone-se pelo problema, não pela solução."
Hoje eu faria um pequeno complemento: as melhores startups talvez não nasçam da busca por uma grande ideia. Elas nascem da disposição de resolver pequenos problemas reais, todos os dias.
Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Antes de existir uma startup, existia apenas um profissional inconformado com processos que poderiam ser melhores.
A empresa veio depois. A visão, essa já estava sendo construída há muito tempo.